Francisco Ramos (Chicão) e Sérgio
com seus aeromodelos Cheyenne
Pouca gente pratica e sabe sobre o aeromodelismo VCC.
Recebemos nesse período de "vida" da Aero-Hobby Magazine, vários
e-mails com pedidos para falarmos sobre o VCC. Segue abaixo:
VCC, O QUE É?
Aeromodelismo VCC (Voo Circular Controlado, também é chamado de
U-control ou Control-Line) é uma categoria do aeromodelismo na qual o piloto
está ligado fisicamente ao avião por meio de cabos. O sistema de controle se
baseia no movimento do profundor (para cima ou para baixo), o que faz com que o
avião suba ou desça, de acordo, você move o balancim, e este, move um arame
rígido ("push-rod") que empurra ou puxa o "horn" (uma
espécie de pino perpendicular ao profundor e que está preso nele, é onde você
prende o arame), fazendo com que o profundor se mova.
VCC ou R/C?
Essa é uma questão interessante. Hoje em dia, com os equipamentos
mais em "conta" e as facilidades oferecidas (modelos prontos ou quase
prontos para voar, rádios programáveis e a proliferação de clubes, instrutores,
etc.), muitas pessoas tomam contato com o aeromodelismo sem nem mesmo saber que
existe a modalidade VCC. Para muitos também, o VCC, à primeira vista, pode
parecer monótono, ainda mais se estivermos assistindo ao voo de um iniciante.
Claro, preso aos cabos de controle pela ponta de uma das asas, o modelo VCC não
poderá reproduzir o voo de uma aeronave real. Mas, não é na verdade isso que
importa. O VCC é uma modalidade voltada para competição. É também desafiante,
pois as acrobacias são feitas sempre muito próximas ao chão (cerca de 1,5 m) e
qualquer erro representa no mínimo algum trabalho recuperando o modelo. No VCC
estamos fisicamente ligados ao modelo. Sentimos sua vibração, as variações de
tensão nos cabos, as variações do vento no modelo e no nosso corpo, exigindo
uma atenção total e atitudes físicas (andar contra ou a favor do vento para
corrigir o voo do modelo) o que faz do voo uma experiência sensorialmente mais
completa. Os preços também são muito diferentes. Pode-se começar a voar VCC com
um investimento de cerca de R$ 200,00 (cerca de 1/4 do valor do investimento
inicial para R/C). Mas, quando comparamos os valores relativos a bons modelos
de competição, que a diferença fica astronômica. Na verdade as duas modalidades
tem suas vantagens e desvantagens. Vale à pena conhecer as duas para escolher!
Eu já voei as duas modalidades e gosto muito das duas, mas as competições e a
adrenalina em VCC são mais estimulantes!
Modalidades VCC
F2A - Speed ou velocidade: O speed é uma modalidade de competição
na qual o objetivo é completar 9 voltas consecutivas (1000 m) no menor tempo
possível. Os aeromodelos podem chegar a 300 km/h. O aeromodelo é relativamente
pequeno, tem uma asa só (bem comprida e fina), hélice com uma só pá (monopá) e
um só estabilizador. Seu corpo é altamente aerodinâmico, tem só o tamanho
suficiente para abrigar o motor (2,5 cc).
F2B - Acrobacia: Na acrobacia, o piloto deve executar com precisão
uma sequencia de manobras preestabelecidas. Os modelos são grandes (têm
aproximadamente 1,50m de envergadura) e finíssimo acabamento, os motores usados
vão de 0,40 a 0,60cc em média. No Brasil, além da categoria internacional (FAI
F2B), existem as categorias promocionais, que são (em ordem de dificuldade):
Mini-FAI, Intermediário, e Iniciantes. Existe também a categoria Aberto, que
foi criada para acabar com hegemonia dos pilotos profissionais na categoria
FAI. No aberto, disputam os melhores pilotos do Brasil.
F2C - Team Race ou Corrida em conjunto: Nesta modalidade, o
desafio é completar 100 ou 200 voltas no menor tempo possível. Há uma limitação
quanto ao tamanho do tanque de combustível, tornando obrigatório pousos para
reabastecimento, com imediata decolagem. É como uma fórmula 1 de aeromodelos.
Na dupla piloto/mecânico, o segundo é a peça mais importante da equipe, ele é
responsável por: um rápido abastecimento, partida idem, boa regulagem do motor,
sinalizar ao piloto a hora de cortar o motor (no team race e no speed há um
sistema para desligar o motor em voo), etc. O piloto deve decolar o avião
rapidamente, ultrapassar os outros pilotos seguramente, ouvir o sinal do
mecânico e desligar o motor na hora certa, levar o avião até as mãos do
mecânico (os mecânicos ficam em lugares fixos), etc. Os modelos atingem 150/200
km/h. Voam de 2 a 4 pilotos de uma só vez.
F2D - Combate: No combate, 2 pilotos voam ao mesmo tempo. O avião
não tem corpo, é só uma asa, o corpo fica embutido na asa e só os montantes do
motor ficam para fora. É amarrada na cauda do avião uma fita de 3 m que é feita
de papel crepom com uma costura passando pelo centro. As asas voam numa
velocidade boa (120 a 140 km/h) fazendo acrobacias radicais, o objetivo é
cortar a fita do adversário o maior nº de vezes possível (o que vale é o número
de cortes, ou seja, vale mais ficar picotando a fita do adversário do que
cortá-la pela raiz).
Caixa de campo
Na caixa de campo, o aeromodelista deve levar:
Bateria 1,5 volts (Ni-starter) - Usada para acender a vela durante
a partida.
Combustível - A quantidade deve ser adequada ao consumo do seu
motor. Pode ser de fabricação caseira ou comprado pronto
Cabo de aço - Também adequado ao tamanho do seu modelo. Pode ter
de 10 a 21 metros, dependendo do motor e do avião, aviões maiores cabo maior,
aviões menores, cabo menor.
Bomba de combustível - pode ser elétrica ou manual, usam-se também
seringas de 60 ml que são usadas em cavalos ou recipientes maleáveis que possam
ser apertados para bombear o combustível.
Panos - em geral 2 ou 3, um ou dois para limpar o avião e um para
limpar os cabos. Um rolo de Papel toalha também é muito útil. Solução
para limpeza - usa-se vários produtos de limpeza como o álcool, removedor,
Veja®, detergente, desengordurantes, etc. é guardada naqueles esborrifadores de
produtos para passar roupa. Caixa - feita de plástico ou madeira, deve
atender às necessidades do aeromodelista. Com o tempo, o tamanho das caixas de
campo diminui, pois você começa a deixar em casa ou no carro as coisas
supérfluas.
Cola - pode ser epóxi (Araldite®) ou de cianoacrilato (Super
Bonder®). Para eventuais consertos, é indispensável.
Hélices - Nunca vá ao campo sem uma ou mais hélices reserva,
principalmente no começo, iniciantes quebram hélices frequentemente.
Ferragens e ferramentas em geral - chave de fenda, chave de vela,
chave Philips, alicates de corte, de bico fino e chato, parafusos, porcas, etc.
Como começar
Tornar-se um aeromodelista não é tão difícil quanto parece, nem
tampouco é um hobby-esporte muito caro. Como dito anteriormente, com 200 reais
(avião pronto + motor) você pode se tornar um. Comece indo a uma pista ou
clube. Com certeza, lá você terá informações e orientações de o que e onde
comprar mais barato. De uma maneira geral, os aeromodelistas são muito
receptivos e certamente você conseguirá alguém para ajudá-lo nos primeiros voos.
Com o tempo, você começará a dominar o voo e poderá aprender as acrobacias
básicas. Aí, é hora de escolher a sua modalidade preferida e se especializar.
Motor
O motor mais utilizado é o 2 tempos, poucos aeromodelistas de VCC
utilizam motores 4 tempos. O motor é abastecido com uma mistura de metanol e
óleo (rícino ou sintético) e outros aditivos (nitrometano, acetona, etc.). A
cilindrada do motor para VCC varia entre 0.049 e 0.60 polegadas cúbicas
(existem motores maiores, mas raramente são usados no VCC). Os motores 0.25 são
os mais utilizados no Brasil, abrangem uma grande fatia dos aviões para VCC, se
você for a uma pista, não conseguirá contar nos dedos quantos aviões 0.25
polegadas cúbicas estão lá. Os motores 0.35 e 0.40 polegadas cúbicas são mais
utilizados em aviões para acrobacia intermediária, Mini-FAI e alguns modelos
FAI. Os motores 0.51 e 0.60 polegadas cúbicas são os utilizados na acrobacia
FAI F2B. Existem também os motores diesel que utilizam uma mistura de óleo de
rícino, éter e querosene, sendo mais utilizados nos Team Race F2C.
Avião
O avião é feito de madeira balsa e compensado. A balsa (madeira
leve) é empregada no corpo, leme, profundor, nas nervuras da asa e nos
chapeados do avião. O compensado é colado à balsa no "nariz" do
avião, para dar um reforço estrutural no corpo. Para parafusar o motor existem
dois montantes de madeira dura, que ficam no sanduíche balsa-compensado. A asa
do avião é semi-oca, não é um bloco sólido (exceto os aviões de isopor) para
aliviar peso. É feita de nervuras ligadas por 2 ou mais longarinas, um bordo de
ataque e um bordo de fuga. Os comandos do avião são feitos através do movimento
de um balancim (que é movimentando pelos cabos), que move um arame (push-rod) e
que por fim, move o profundor, para cima ou para baixo, fazendo o nariz do
avião apontar para cima ou para baixo. Nos aviões acrobáticos, além do
profundor, são instalados "flaps" ao bordo de fuga do avião, que se
movimentam inversamente ao profundor.
Autores Gustavo Gaspar Campanha, André Coraucci e Francisco Ramos
Artigo cedido pela Revista Aerohobby Magazine
Fonte: http://hobbys.com.br/
Fonte: http://hobbys.com.br/
